Com base no debate sobre o filme "Leões e Cordeiros" responda às seguintes questões, dando exemplos e refletindo sobre as representações de guerra contemporâneas.
1) A imprensa é capaz de modificar ou interferir nos rumos de uma guerra?
2) Os espectadores podem ter informações seguras e apuradas de um conflito?
3) Qual a capacidade da imprensa internacional de apurar melhor um conflito do que a imprensa dos países envolvidos diretamente no evento? Ou a cobertura contemporânea não depende dessa diferença?


17 comentários:
1)
"Leões e Cordeiros" não mostra que a imprensa seja capaz de modificar ou interferir nos rumos de uma guerra, no sentido do que ocorre no "front" de batalha. O filme mostra que é submissa ao discurso oficial, como o divulgado pelo Senador Jasper Irving à jornalista Janine Roth. Ainda que Janine quisesse modificar essa situação de submissão, o sistema e as consequências dele a fizeram retroceder de seus ideiais.
Contudo, se pensarmos na história das inúmeras guerras, podemos lembrar do caso do Vietnã. Os incontáveis protestos, divulgados pela imprensa certamente mudaram a visão que a sociedade da época, sobretudo americana, mas também a nivel quase que global, tinha daquele conflito. Nesse caso, os rumos da gerra certamente foram modificados, até porque os protestos eram tantos que a imprensa não poderia deixá-los de lado, querendo ou não.
Não pensando no sentido propriamente do "front", a imprensa é capaz de interferir nos rumos de uma guerra no sentido da visão que a sociedade pode ter desta pelo caráter da divulgação das informações.
2)
Os espectadores certamente não podem ter informações seguras e apuradas de um conflito. Como já dito, a imprensa atual é muito dependente do discurso oficial e certamente este não é imparcial, sobretudo em se tratando de um conflito armado.
3)
Esta questão não tem uma resposta unívoca. Creio que a imprensa internacional, por ter uma visão externa, possa fazer uma análise mais distanciada e portanto menos parcial, podendo, assim, observar mais claramente o que ocorre em cada lado do conflito. Entretanto, o país que vivencia uma guerra sente um sentimento de perda, ou de vitória, dependendo do caso, que os que estão "de fora" jamais poderão saber de forma precisa.
Outro fator que deve ser levado em conta é que a imprensa de caráter mais oficial busca transmitir fatos, sem um caráter tão analítico. Isso aproxima a imprensa internacional e nacional nos conflitos armados atualmente. Certamente que colunistas com um pequeno espaço em um jornal ou escritores de livros-reportagem podem fazer análises mais profundas e enriquecedoras no estudo de um conflito contemporâneo, bem como historiadores do tempo presente.
1)Segundo o filme "Leões e cordeiros" não, porém na vida real notamos uma forte influência da imprensa no andamento das guerras, como a campana anti-Guerra do Vietnã ou a explosão da Guerra do Iraque.
2)O expectador deve sempre suspeitar das noticias dadas pela imprensa já que, como é feita por humanos, é passivel de sentimentos e corrupção.A imprensa muitas vezes vai alterar as noticias dos conflitos evitando causar um temor geral ao mostrar o seu país como tendo uma "vitória" na guerra.
3)A imprensa internacional tem a vantagem de fazer uma apuração mais próxima da neutralidade, se focando mais nos fatos ocorridos e dando opiniões mais pacíficas. Mas a imprensa local terá uma visão mais ampla da guerra, devido ao seu vivenciamento, mas será menos analítica e mais "romântica" sempre mostrando avanços do país que está apoiando.
Aluno: Luís Fellipe Fenandes Afonso
ALUNA:MONIQUE SOUZA FRANCISCO
1)Acredito que a imprensa não seja capaz de alterar o rumo da guerra propriamente dita, ou seja ,ela não tem o poder de alterar quem será o vencedor ou não de um conflito, porém tem o poder de interferir na opinião pública de um país a respeito deste conflito , isso é demostrado no filme quando o senador Jasper (Tom Cruise) questiona a jornalista Janine Roth( Meryl Streep) pelo apoio que a imprensa deu a declaração de guerra.
2) creio que as notícias da imprensa não são totalmente confiáveis,por muitas vezes serem instrumentos de satisfazer o discurso oficial,levando os leitores(no caso do jornal escrito)ou expectadores , a ter uma opinião pré concebida , ou seja, as notícias são passíveis de manipulação.
3)Acredito que não tenha muita diferença entre a capacidade de apuração de um fato , pela imprensa internacional ou pela nacional, já que hoje temos uma imprensa "integrada" , ou seja, as notícias são muitas vezes compradas de uma emissora de um país pela de outra, o que muda as vezes é a interpretação que se tem de um fato , pela imprensa internacional ter uma ótica de fora desse conflito, o que pode ser favorável ( por muitas vezes ter uma imparcialidade maior, o que também não acontece sempre), ou até mesmo desfavorável à imprensa internacional , já que a imprensa nacional pode ter uma visão mais ampla do que acontece internamente, então acho isso muito relativo para ser julgado.O que eu creio que seja interessante ,principalmente, para quem usa a imprensa como fonte de estudo,é exatamente utilizar fontes de diferentes países a respeito de um fato,para se ter uma visão mais ampla a respeito de um determinado ,principalmente um conflito que pode ser manipulado por um jogo de interesses não só dos países envolvidos ,mas por outros que podem ser favorecidos pela manipulação da imprensa .
Aluna: Suelen Siqueira Julio
1) A imprensa pode interferir nos rumos de uma guerra, no sentido de que alcança grande número de pessoas, passando uma determinada visão dessa guerra. Através da informação que recebem da imprensa acerca de um conflito, as pessoas podem tender a se posicionar contra ou a favor do mesmo. Os governos perceberam isso e durante conflitos como a II Guerra Mundial, se utilizaram dos meios de comunicação para fazerem propaganda sobre sua posição na guerra, a fim de conseguir o apoio da população, que poderia contribuir inclusive financeiramente. No filme, há a tentativa de fazer com que a repórter faça uma matéria que passe uma visão positiva da guerra, para que esta não seja tão impopular aos olhos da opinião pública.
2)Fica difícil para os espectadores obterem informações seguras sobre um confluito, pois tais informações trazem uma determinada visão, que como já foi dito, não é imparcial. A cobertura traz determinadas notícias sobre a guerra, omitem outros pontos que poderiam interessar os espectadores. As reportagens podem trazem notícias desatualizadas, como pe mostrado no filme. Na era da Internet e da multidão de fontes, o leitor pode buscar muitas fontes, as quais ele julgue mais confiável, porém a maioria das coberturas traz algo muito superficial, tamanha a quantidade de notícias diferentes elas tem que dar conta.
3) A cobertura contemporânea sobre um mesmo conflito difere mais de acordo com as convicções políticas e de quem escreve do que de sua nacionalidade. O órgão para o qual o repórter trabalha também interfere no conteúdo da notícia. Voltando a citar "Leões e Cordeiros", a repórter tinha uma posição contrária à guerra, mas tudo indica que acabou por ceder às pressões do meio e fez uma reportagem diferente da que queria fazer.
Aluno: Renan Moreira da S. de Mello
1) Sim, acredito que a imprensa, principalmente com o desenvolvimento dos meios de comunicação e com o aumento da velocidade com que a informação é transmitida, tornou-se cada vez mais decisiva na formação da opinião pública e, consequentemente, no rumo dos conflitos militares. Na minha concepção o marco da participação da imprensa no rumo de uma guerra se deu na Guerra do Vietnã, onde a imprensa influenciou a opinião pública nos EUA e, com isso, aumentou a pressão sobre as decisões de guerra tomadas pelo governo americano.
2) Acredito que as informações mais seguras e apuradas que os espectadores podem ter sobre um conflito são os dados estatísticos, os números do conflito. Isso transmite uma guerra de gráficos, uma guerra de tabelas. Acredito ser improvável a transmissão de sentimentos e impressões que cheguem de forma imparcial aos espectadores.
3) Teoricamente a imprensa internacional tem uma possibilidade maior de documentar conflitos de forma imparcial, pois não teria interesses políticos que interferissem no colhimento de dados e na elaboração das matérias, mas acredito que com a democratização dos meios de comunicação, principalmente com a ascenção e com a popularização da internet, essa possível diferença do caráter das coberturas das imprensas internacionais ou envolvidas no conflito se torna cada vez menos provável.
Aluno: Marco de Almeida Fornaciari
1- Acredito que a imprensa é fundamental na definição dos rumos de uma guerra. Através dela, um governo pode obter o apoio popular necessário a um conflito, certificando-se de que o povo receba informações e fatos vistos de um ângulo favorável à guerra. Seria esse o interesse do senador Irving (Tom Cruise) no filme.
Por outro lado, a imprensa pode também influenciar a opinião pública no sentido contrário, como foi o caso na Guerra do Vietnã, já citada em outros comentários. O fundamental é lembrar que grande parte do povo toma conhecimento dos fatos relativos a um conflito militar apenas através dos órgãos da grande imprensa, o que explica a grande influência que esta tem na opinião popular.
2- Como o espectador tem acesso à informação através de relatos de terceiros, dificilmente ele poderá confiar totalmente na precisão destes. Mesmo se desconsiderarmos os interesses de governos nacionais interferindo na imprensa, cada pessoa que relatar um fato o enxergará sob um ângulo diferente, logo, é impossível afirmar que qualquer relato corresponde à verdade absoluta dos fatos.
3- A imprensa internacional, ainda que teoricamente mais imparcial do que aquela vinculada a um dos países envolvidos em um conflito, dificilmente realizará uma apuração "justa" deste. A tendência é que ela siga a visão do país que exerce maior influência global. Por exemplo, a cobertura da Guerra do Iraque pela imprensa internacional foi feita, de forma geral, seguindo os moldes da imprensa estadunidense, sendo os EUA uma força dominante a nível mundial. Nesse sentido, apesar de não estar ligada a nenhum dos países em guerra, a imprensa internacional termina por "escolher um lado" no conflito.
1)A imprensa, seja na cobertura de um guerra ou de qualquer outro evento, tem um papel fundamental em sua interpretação, pois, acredito que seja a fonte mais imediata de informação a ser procurada pelas pessoas. Um exemplo não muito distante - e triste - do que uma cobertura desastrada pode provocar é o da Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra. Era claro que a vitória dos europeus era mera questão de tempo, uma formalidade. Mas o que certa parte da imprensa fez? Aproveitou-se do desespero de um povo e passou a veicular notícias falsas sobre as vitórias portenhas contra os europeus. A situação do filme é parecida. Ainda que os EUA não fossem uma ditadura, usaram o argumento de que sua soberania fora atingida no mais alto grau, e daí para a guerra total, foi um pulo. A cena da redação é ilustrativa do que venho falando: publicar/apoiar uma farsa ou não? Parece que a personagem de Meryl Streep renunciou a seus aparentes princípios pacifistas e cedeu à pressão de seu chefe, veiculando uma notícia que, além de falsa, há muito havia sido posta em prática. Mal sucedida, por sinal.
2)Acredito que sim. Há muitas outras formas de se investigar um fato, para além da grande imprensa. Sites como o Twitter, por exemplo, mostram outras matizes de conflitos como o ocorrido ano passado no Irã.
3)Teoricamente, a imprensa internacional optaria por uma posição distanciada e menos apaixonada dos acontecimentos do que as vinculadas a países em conflito. Porém, tenho para mim que essa visão acaba dissolvendo, quando se está no olho do furacão. Todos estão cobrindo o mesmíssimo evento, e acabam seguindo na maioria das vezes aquilo que os países mais fortes determinam, até mesmo para obterem acesso à informações privilegiadas e prováveis furos de reportagem. No entanto, há que se destacar que isso não é uma obrigação, mas apenas uma opção. Não há um só lado para se escolher. Na minha opinião, a cobertura mais justa é aquela que analisa a verdade, seja de que lado for.
Aluno: Walter José Moreira Dias Junior
1- Depende de que tipo de notícia a imprensa está transmitindo. Considero que por si só, a imprensa não influi em absolutamente nada. Ela não possui capacidade própria de manipular o rumo de uma guerra. Ela só é capaz interferir em um conflito, a partir do momento que serve de meio de divulgação da opinião pública de uma determinada sociedade em um regime democrático.
Esta ressalva a respeito da democracia refere-se à liberdade de uma opinião pública poder ser abertamente declarada. Diferentemente do que ocorre uma sociedade com regime totalitário, em que o Estado controla ou censura os meios de comunicação. Assim, a opinião pública passa a ser, neste caso, a imagem que o próprio regime quer transmitir. Então, a opinião que as pessoas têm em seu íntimo, e não têm liberdade para expressar, em regimes totalitários é chamado de opinião popular.¹
Então, se a imprensa divulgar a opinião pública corrente no momento de um conflito, pode sim, ter o efeito de interferência sobre as decisões dos dirigentes de um Estado. O que pode ser exemplificado nas palavras de Jean-Jacques Becker, historiador francês:
“Não existe política que possa se desenvolver por muito tempo pelo menos num Estado democrático e provavelmente também um pouco nos outros – sem vínculos estreitos com as tendências dominantes da opinião”.²
E só para esclarecer melhor o conceito de opinião pública, faz-se lembrar que ela não é formada simplesmente por reações imediatas sobre determinados acontecimentos . Estes acontecimentos que ocorrem no cotidiano são considerados na escala do tempo breve, porém há de se considerar os fatos ocorridos na escala do tempo longo. A opinião pública é constituída por estes dois planos temporais, e no diálogo entre eles.³
Nas palavras de Pierre Laborie:
“A opinião pública é um fenômeno coletivo, reflexo e afirmação de uma posição dominante no interior de um grupo social.” ⁴
2- Depende do conceito de “notícias seguras e apuradas” de cada um. Cada lado do conflito tem uma versão própria, e a considera como verdade. Cada veículo de comunicação tem sua linha editorial pré-definida, e é utopia crer em imparcialidade jornalística, pois seria apoiar jornalismo factual, somente com os ditos acontecimentos, sem espaço para problematização e reflexão.
Assim, cada veículo de informação, seja dos países envolvidos no conflito, seja da imprensa internacional, têm suas próprias tendências ideológicas. Portanto, cada indivíduo tem a oportunidade de buscar em cada meio de informação os relatos sobre a situação, podendo desta forma construir uma opinião mais fundamentada, problematizando uma ou outra narrativa apresentada.
3- Considero que na cobertura contemporânea não há distinção entre a imprensa internacional e imprensa dos países envolvidos no conflito. Pois seria um reducionismo qualificar todos os órgãos de imprensa de um determinado país como “imprensa do país envolvido” ou os órgãos de imprensa internacionais como se possuíssem um tom uníssono, uma única opinião a respeito de um determinado conflito.
Cada jornal, emissora de televisão, estação de rádio e portal de notícias têm sua linha editorial própria, seja do país envolvido ou da cobertura internacional. A questão da imparcialidade não pode ser considerada como característica paralela a de que lado o país está na guerra.
¹ KERSHAW, Ian. L’opinion allemande sous le nazisme: Bavière 1933-1945. Paris: CNRS Éditions, 2002, p. 35.
² BECKER, Jean-Jacques. “A opinião pública”. In: RÉMOND, René (org.). Por uma história política. Rio de Janeiro: Ed. FGV / Ed. UFRJ, 1996, p.205.
³ BECKER, Jean-Jacques. “A opinião pública”. In: RÉMOND, René (org.). Por uma história política. Rio de Janeiro: Ed. FGV / Ed. UFRJ, 1996, pp. 187-189.
⁴ LABORIE, Pierre. “De l’opinion publique à l’imaginaire social”. In: Vingtième Siècle. Anné 1988, vol.18, n.18, p.103.
Aluno: Henrique Fernandes Alvarez Vilas Porto
1) Sim, pois a imprensa pode influenciar a população através das notícias. Ao levar a informação até a população, a imprensa divulga os fatos que ocorrem no conflito que podem fazer com que a opinião pública fique contra ou a favor das atitudes de seu governo. Por isso o Senador Irving, no filme, tenta fazer com que as noticias fiquem favoráveis ao governo. Para evitar a pressão popular contra a guerra, caso a população soubesse de noticias negativas sobre o conflito.
2)Não, pois a informação trazida até eles não é imparcial. Cabe a ao espectador buscar uma fonte em que confie.
3)A imprensa internacional tem uma certa vantagem no sentido em que sua neutralidade pode tornar suas notícias mais imparciais. Porém isso irá variar de acordo com o envolvimento do país de onde sai a noticia com o país que está no conflito. Em países de histórico amigáveis, as notícias tenderão a defender o lado do país envolvido no conflito.
Aluno: Luã Marins
1)A imprensa tem o poder de modificar o rumo de uma guerra. Isso acontece principalmente quando todas as mídias se unem em prol de uma conquista, como aconteceu na Guerra do Vietnã, por exemplo. Ainda assim, há quem se aproveite desse poder, e tente implantar na imprensa ideais próprios. É o que se vê no filme “Leões e Cordeiros” quando o senador tenta convencer a jornalista de que uma nova estratégia guiará a guerra dali em diante. Sabendo disso, deve sempre partir da imprensa uma apuração adequada, a fim de que deturpações não alcancem as manchetes dos jornais e nem interfiram numa guerra erroneamente.
2)O espectador nem sempre pode confiar cegamente no que vê. As notícias de guerra vem de noticiários oficiais e de agências de notícias. Dessa forma, os jornalistas acabam reproduzindo o que ouviram, quase como num telefone sem fio. Além disso, cobrir uma guerra não é possível para apenas um jornalista, devido à suas grandes dimensões. Com isso, surgem inúmeras versões e acaba restando ao espectador execer uma versão crítica sobre os noticiários aos quais assiste.
3)A capacidade de apuração dos países envolvidos em uma guerra é evidentemente maior em relação aos que participam dela. Os primeiros têm acesso às informações com maior facilidade do que os outros e, por isso, podem investigar melhor. Contudo, por estarem influenciados, muitas vezes, por um clima de nacionalismo, podem deixar passar coisas inverídicas. A função da imprensa internacional, nesse caso, passa a ser analítica. Por ter uma versão externa, as críticas são mais coerentes e neutras, o que pode não ocorrer em um dos países que sofre ou se beneficia com aquele confronto.
1- A imprensa tem influência direta sobre o que se pensará de uma guerra, pois grande parte da sociedade formula suas opniões através das informações que recebe das grandes mídias. As notícias que serão destaque formarão a base do repertório da população sobre algum conflito ou guerra. As informações deixadas de fora serão, na maioria das vezes, também deixadas de fora pela população. Desta maneira, a escolha das pessoas em apoiar ou protestar contra uma guerra estará baseada, em grande parte, no que lhe foi dito pela imprensa.
Entretanto, o papel principal da imprensa na formação da opinião pública é insuficiente para mudar os rumos de uma guerra, se não levarmos em conta a ação da própria sociedade. Tudo dependerá da relação entre Estado e sociedade e a interferência e/ou influência que um consiguirá exercer no outro.
2- As informações veiculadas sobre algum evento serão sempre parciais e passíveis de erros. Cabe ao espectador considerar sempre de onde vem o discurso - quem fala, de onde fala e por que? - e desconfiar daquele que nega sua própria parcialidade e falibilidade. Além de entrar em contato com diferentes tipos de mídias para poder comparar e julgar melhor o que lhe é dito.
3- Uma imprensa internacional é capaz de avaliar diferentes opiniões, dicursos e posições, além de, pela sua própria característica internacional, abarcar melhor esses diferentes posicionamentos. Porém, é impossível ter certeza de que isso ocorre efetivamente e de maneira imparcial, já que é muito difícil conhecer as relações e estruturas sociais, políticas e econômicas que estão por trás dessa "imprensa internacional".
Independente da sensação de legitimidade e alcance que uma imprensa internacional poderá ter, ela deverá ser analisada pelos mesmos critérios que qualquer outro tipo de imprensa, quanto a imparcialidade e até mesmo veracidade de suas informações.
Aluna: Camila Morena Vasconcellos
“Leões e Cordeiros” traz algumas questões muito interessantes, como, por exemplo, a crítica à guerra e a participação da imprensa na divulgação das notícias de guerra. Até quando as notícias que saem no jornal e na TV são imparciais? Quando é necessário que haja uma reflexão crítica das notícias por parte dos jornalistas? Em que profundidade as notícias embasadas em fontes oficiais encobrem uma série de "submundos" e "sujeiras" de guerra? Essas são perguntas que vêm à tona quando se vê Leões e Cordeiros. Esse filme quebra com a visão que muitos têm de um ideário americano homogêneo sobre a guerra, quando nos traz uma série de questionamentos e dúvidas, mostrando que a guerra é mais uma escolha que uma necessidade. Ademais, o filme questiona o verdadeiro papel da imprensa na divulgação das notícias de guerra e traz a linha tênue entre imparcialidade dos fatos e distorção dos fatos. Além disso, “Leões e Cordeiros” coloca, principalmente nas cenas entre a jornalista e o senador, que os jornais não são capazes de alterar a realidade de guerra de uma maneira imediata, mas seu discurso se reflete na sociedade e faz com que boa parte desta legitime ou não a guerra, o que de alguma maneira influi em sua realidade material. O filme também coloca que a imprensa do país envolvido com a guerra é muito mais passível a deturpações, pois está lidando com interesses que lhe são diretos.
Acredito que quando se comunica algo, tenta-se persuadir alguém sobre alguma coisa. As informações divulgadas pela imprensa – e temos a mania de falar da imprensa como se ela fosse una e não plural – estão de acordo com uma visão de mundo específica – ou, seguindo o meu comentário anterior, visões. Ainda que muitas informações cheguem a nós quase em tempo real, elas remetem a um passado e, como o passado já passou, deve-se admitir certa re-elaboração dele. Assim, o espectador recebe informações filtradas por aqueles que informam. Isto seria seguro? Bem, como nem todos temos a oportunidade de estar nos locais onde os eventos acontecem, creio que, caso seja possível, deve-se procurar a maior fonte de informações.
Apesar de toda a sofisticação da cobertura contemporânea, acho que a imprensa internacional pode muitas vezes acabar ficando restrita às informações divulgadas pela imprensa dos países envolvidos diretamente no evento. Da leitura do acontecimento pela imprensa local, chega até nós uma terceira versão das coisas. E isso certamente pode, sim, interferir nos rumos da guerra.
O filme Leões e Cordeiros me fez enxergar um pouco mais longe. Pude perceber que além de todas estas variáveis há ainda o problema do discurso oficial, isto é, a informação que o governo envolvido no conflito deseja que seja vinculada. A personagem de Meryl Streep, uma jornalista experiente que escreveu uma série de artigos sobre a guerra do Afeganistão para um jornal, percebe que foi um instrumento de veiculação da ideologia oficial e arrepende-se de ter interferido nos rumos do conflito.
1) A partir do filme "Leões e Cordeiros" podemos discutir a importância da imprensa numa guerra. O conflito representado pela repórter é bem interessante, pois apresenta as duas faces da mídia, que nem sempre diz tudo, nos fazendo pensar no não dito. Acredito que a imprensa pode sim, interferir numa guerra, uma vez que está apresenta para o público informações que podem alterar o senso comum.
2) Acredito não ser possível confiar completamente em uma única fonte; é preciso sempre ter um olhar crítico sobre o que a notícia informa, pois muitas vezes, há atraves deste, um discurso de opinião, ao inves da imparcialidade.
3)O que se tenta apresentar através da imprensa internacional seria a neutralidade diante do conflito em questão, o que, teoricamente, é mais difícil entre os envolvidos. No entanto, a neutralidade completa não existe e sempre haverá interesses em jogo.
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