quarta-feira, 21 de abril de 2010

Guerra Civil Espanhola: O LABIRINTO DO FAUNO

O exercício da aula desta semana (19/04/2010) é sobre a Guerra Civil Espanhola. Peço aos alunos que façam uma resenha, que deve ser publicada como comentário desta postagem, sobre o filme que assistimos em aula "O labirinto do fauno". Já tivemos uma ótima discussão em sala, após a exibição do filme e a apresentação do grupo encarregado de tratar do tema. Fica aberta tb a possibilidade de tratar de algum outro tema ou obra que esteja relacionada à Guerra na Espanha. Para ajudar no exercício, relembro alguns dos temas tratados em sala, sucitados pela película.
Entre eles:
1) Debate sobre o papel da mulher na Guerra Civil e nos filme "O labirinto do fauno";
2) A utilização da fábula para se referir ao tema da guerra e ao clima pós-guerra;
3) Possibilidades de resistência e necessidade de adaptação ao novo regime;
4) Crítica à falta de ajuda internacional no momento em que grande mobilização era feita para atuar contra a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.


Fica aberta ainda a possibilidade para os que quiserem escrever sobre os textos e experiências de George Orwell na Guerra Civil Espanhola, que foi tb tema da última aula, com a apresentação do trabalho do Pedro.

26 comentários:

Suzana disse...

Achei o filme interessantíssimo como um todo. A mistura entre a fantasia e a realidade apresenta uma nova abordagem sobre a Guerra Civil Espanhola. "O labirinto do Fauno" foge do clichê dos filmes de guerra e mostra como o conflito perdurou mesmo depois de seu final oficial.
A brutalidade se contrapõe a todo momento com o encantamento de Ofélia com aquele novo mundo que ela descobrira; um mundo no qual ela seria a princesa, um mundo muito melhor do que sua realidade.
Além dela, as demais personagens femininas apresentam as posturas tomadas por elas em relação ao conflito; enquanto a mãe de Ofélia se afasta totalmente, a governanta enfrenta o conflito, apoiando os revoltosos, mesmo estando debaixo do mesmo teto que um representante da opressão, o capitão.
Podemos perceber até mesmo características técnicas que reforçam o momento obscuro que o país vivia. Todas as cenas são escuras, mesmo quando em ambientes externos, a chuva, a lama, a penumbra são elementos constantes que reforçam a visão cruel, negativa e pesada do momento do pós-guerra.

Anônimo disse...

O longa de Guillermo Del Toro, "O Labirinto do Fauno", considerado por muitos o melhor filme do ano de 2006, está inserido no contexto do pós-guerra civil espanhola, no ano de 1944. Vale a pena uma pequena apresentação dessa guerra.
A guerra civil espanhola durou de junho de 1936 até 1º de abril de 1939. Foi uma oposição ao governo da Segunda República Espanhola por parte de militares rebeldes, de direita. O conflito que esperava-se ser rápido - a mesma ilusão que se tinha na Primeira Guerra Mundial - durou oficialmente quase três anos e instaurou um regime ditatorial autoritário liderado por Franco. Há uma longa discussão na historiografia sobre se o franquismo era ou não fascista, mas é um fato que Hitler e Mussolini apoiaram os "nacionalistas"(de extrema direita, monárquicos e falangistas) contra a Frente Popular (composta pela extrema esquerda e o governo eleito liberal-democrático).
Neste contexto, "O Labirinto do Fauno" é um excelente filme para ilustrar como o conflito permaneceu ainda que houvesse terminado oficialmente. O capitão Vidal é um exemplo ideal para mostrar a brutalidade do regime franquista. Usa de mecanismos sádicos de tortura e mata com uma crueldade sem uma gota de compaixão. É interessante ver que apesar de a película ser cercada de criaturas sobrenaturais, o capitão é o que mais gera repulsa.
Outra característica do filme é a mistura de realidade e fantasia. A ambientação é tão bem-feita que parece que um filme inverossímil é totalmente possível. As cores são escuras passando a ideia da tensão e da brutalidade do momento e o ambiente é imerso em uma floresta, o que torna mais "real" a existência do Fauno e dos outros seres mágicos.

Aluna Roberta Alves Silva.

Anônimo disse...

Parte dois
Aluna Roberta Alves Silva

O papel da fábula é muito interessante na medida em que é o refúgio da realidade que é bruta até mesmo para a ingênua e sonhadora personagem pricipal, a menina Ofélia. Sua mãe e a empregada Carmen, as mulheres mias próximas à menina, já não acreditam em fábulas, pois a realidade obscura mesmo no pós-guerra já se demonstrou mais forte,sendo capaz de derrotar a fantasia e a utopia. Contudo, Ofélia tem sua alegria na esperança de ser uma princesa do mundo fantástico. O final do filme é capaz de agradar a gregos e a troianos.Para quem não acredita em fantasia, a morte da menina foi uma demonstração da vitória da realidade, ao passo que para quem acredita, a morte foi a forma de Ofélia ser feliz e se tornar uma princesa totalmente longe daquele mundo cruel e envolto de sofrimento.
A película também mostra que houve resistência ao regime franquista. Não sabemos como essa resistência ocorreu em todas as localidades da Espanha, porque o apoio ou não ao regime se deu de modos diferentes em locais distintos. No caso do filme a resistência estava acontecendo ainda em 1944 e havia pessoas infiltradas dentro da casa de Vidal que apoiavam a oposição. Uma dessas pessoas era uma mulher, Carmen e este é outro aspecto relevante do longa. A mulher tem um papel muito forte na luta. Carmen ajuda na resistência, Ofélia desafia mais de uma vez a autoridade de Vidal, especialmente quando foge com seu irmão e vai atrás do Fauno e Mercedes (mãe de Ofélia)encontra sua forma de sobreviver e dar o melhor que pode à filha ao se casar com o capitão, embora não concorde com suas atitudes.
Devemos pensar no contexto do filme como sendo um período da história muito difícil para a Espanha. A guerra que havia terminado oficialmente ainda continuava na prática, contudo o cenário político internacional não estava voltado para a situação deste país na medida em que as atenções se voltavam para os conflitos da Segunda Guerra Mundial e a tentativa de destruição da Alemanha nazista (por parte do Aliados, logicamente). Enquanto isso, as atrocidades de uma Espanha franquista eram postas de lado.
A película de Guillermo Del Toro é mais que um filme de fantasia, é também uma crítica à brutalidade de um governo totalitário. Vidal também chega a ser morto sem compaixão, isso mostra que Del Toro não quis fantasiar um lado como sendo o covarde e o outro como o "bonzinho", mas por mais bruto que tenha sido o final de Vidal, aposto que muitos aprovaram como sendo bem merecido.

Monique Souza disse...

Excelente filme!!!! É muito interessante o modo como o diretor , Guillermo Del Toro trabalha misturando a realidade e a fantasia para explorar um tema tão importante como a Espanha Pós-guerra Civil (cinco anos após o término do conflito),de forma a contrapor a inocência da personagem Ofélia a uma dura realidade vivida pela mesma .
Ofélia que é criada pela sua mãe Carmem -que enfrenta problemas durante a gravidez- e pelo capitão Vidal - homem extremamente cruel;Algumas cenas extremamente fortes , impedem que Vidal, caia na simples caricatura de simples vilão de contos de fadas.O filme nos dá a impressão de que o diretor sugere a imaginação e a fantasia como um modo de se livrar de um mundo marcado pela violência -a morte de Ofélia me deu essa impressão , já que ela morre de forma cruel ,pelas mãos do padrasto, porém sua morte não teria sido o fim e sim o começo de uma vida bela ,em seu reino..
O filme também mostra que o pós guerra civil foi marcado por resistência ,e nesta destaca-se o papel feminino ,através da personagem Mercedes -empregada da casa do capitão Vidal , e espiã dos rebeldes , fornecendo-lhes suprimentos e informações .
Monique Souza Francisco

Pedro disse...

Sobre o Orwell, eu insisto em um ponto já defendido na exposição da aula passada: "Lutando na Espanha" é ao mesmo um livro de maturidade e um livro de transição. A primeira característica se releva quando lemos os livros posteriores de Orwell e notamos que o estilo que ele desenvolveu (político, lírico, etc) tem profundas ligações com a Guerra. Não há grandes mudanças na estrutura de seus escritos pós-39.
Transição, porque "Lutando na Espanha" marca a passagem do escritor individualista que nutria alguma simpatia pela causa dos trabalhadores a uma esfera de luta cotidiana, manifestada em sua forma mais extrema na crueza do front. Não se trata, também, daquilo que podemos chamar de "último Orwell", pois a descrença com o socialismo e as esquerdas, de uma forma geral, ainda não é manifestada neste livro como seria em 1984. O que vemos é a luta de um autor em contradição consigo mesmo, e que vê na possibilidade de vencer a Falange uma oportunidade para a construção de uma Espanha mais justa. Por justa, entenda-se socialista.

Luís Fellipe disse...

O filme " O Labririnto do Fauno" toca numa das guerras esquecidas por Holywood;a Guerra Civil Hispânica. O filme foca na realidade do pós-guerra, vemos uma fuga da realidade da personagem principal (Ofélia) através de seu mergulho nos livros sobre fadas e de seus encontros com o fauno, esquecendo totalmente a triste realidade ao seu redor, realidade esta que mostra um sentimento de tristeza e de perca de esperança ( representado pelo personagem de Carmem).Esse clima também é no cenario (frio,escuro e sempre chuvendo). Esse clima sombrio e a falta de sensibilidade mostra que não havia "vilões" ou "mocinhos" na história, afinal o sanguinario comandante foi morto a sangue frio ao salvar seu filho. Outro tópico tratado pelo filme, e sobre o qual não é tratado nos livros escolares brasileiros, é questão da resistência ao governo franquista no período da 2° Guerra. Nesse período vemos uma Espanha sofrendo com a guerrilha local realizada por pequenos grupos que lutavam contra o governo franquista e que sofriam uma dura repressão. A mulher teve um papel muito importante no pós-guerra, outro fator que é esquecido pela história, algumas sofreram absurdos para conseguir sustentar sua família ou então entrando na resistência.Outro fator que aparece no filme é a questão da ajuda internacional, apesar de pouca devido a 2°guerra, principalmente na resistencia contra o governo franquista. Com isso vemos um excelente filme de fantasia que toca em vários pontos historicos que não são mostrados em filmes de guerras.


Aluno: Luís Fellipe Fernandes Afonso

Iasmin Luz disse...

O filme é muito bom e tem uma série de cenas cheias de surpresas, as quais dão um andamento ainda melhor ao filme. As cenas protagonizadas pelo Capitão mostram a questão do autoritarismo e da violência o que era, de fato, muito presente na Guerra Civil Espanhola. Além disso, estas cenas de autoritarismo vão de encontro ao encantamento de Ofélia, a qual, assim como Alice, se podemos fazer uma comparação, vive num mundo paralelo entre realidade e fantasia.
Ao longo da trama, percebemos através da postura dos personagens e através do próprio trabalho de fotografia do filme, que nos traz ambientes escuros e lúgubres a situação em que a Espanha se encontrava naquele momento. Ademais, embora o filme seja repleto de seres mágicos e sobrenaturais, a criatura mais sórdida de todas é o próprio Capitão, o que nos dá uma idéia de que a maldade que costumamos atribuir a lendas como as do “bicho-papão” está no próprio ser humano, que, mormente, em situação extremas como a guerra, pode ser tornar a pior das bestas.
Por fim, o filme destaca o prolongamento da guerra mesmo com seu fim oficial e a resistência que existiu frente a esse prolongamento. Além disso, percebemos como Guilherme Del Toro explora a importância do papel feminino durante a guerra, o que é demonstrado principalmente através da figura da governanta. Acredito que “O labirinto do Fauno” é um filme de terror, porém um terror real, o qual as vezes esquecemos diante da série de monstros imaginários que criamos.

Anônimo disse...

A utilização da fábula para abordar o assunto da guerra faz com que "O Labirinto do Fauno" se torne uma obra bem original, chamando a atenção mesmo daqueles que não tem o interesse principal em saber sobre a Guerra Civil Espanhola. O recurso à fábula chama a atenção para o fato de que durante a Guerra Civil e, por extensão, qualquer outro conflito, a vida segue, as pessoas sonham, as crianças se entregam a seus pensamentos quase mágico, mesmo em meio a um embate sanguinário. Nesse sentido - de possibilidade de vida, de sonho em meio a guerra- "O Labirinto do Fauno" me lembra um outro filme, cuja história se passa durante a Guerra: "A Língua das Mariposas". Esse filme retrata a história de uma família comum. Um dos personagens é um professor que é republicano. Ele leciona para crianças, para as quais abre a possibilidade de um ensino diferenciado, com direito a sonhos, a pesquisa, a conversas "humanas" com o professor. O filme também retrata um pouco da vida de um jovem, que está a prendendo a tocar sax, que pensa em amar. O professor neste filme, "A Língua das Mariposas", representa a resistência também. Primeiro a resistência a uma educação repressora, e, segundo, a reistência ao regime totalitário, pois o professor é republicano e por isso é preso. Nesse ponto também se aproxima do "Labirinto do Fauno", que também retrata a resistência, incluive armada, a um governo opressor.

Aluna: SUELEN SIQUEIRA JULIO

Anônimo disse...

Aluna: Suelen Siqueira Julio.
Obs:
Bem, não sei se ficou claro no meu comentário anterior, mas a Guerra a qual o filme "A Língua das Mariposas" se refere é a Guerra Civil Espanhola, o que se pode deduzir pelo contexto do comentário, ainda que não explicitei isso.

Anônimo disse...

O filme tem uma proposta interessante, pois mostra o contexto de uma guerra misturando a realidade com a fantasia. Em algumas partes não é possível distinguir se os fatos estão acontecendo de fato ou se fazem parte da imaginação da menina. Interessante, também, é a escolha do Fauno como o a criatura mágica que se encontra com a menina, sempre à noite, pois o Fauno, na mitologia, é em boa parte das vezes ligado à sexualidade. Sobre a questão da fantasia, não se pode saber se o Fauno era apenas fruto da imaginação de Ofélia que usava disso para escapar da realidade difícil de sua vida no período do conflito. Porém, no final, ela finalmente chega ao seu reino depois de sua morte, o que reforça esse pensamento, já que a morte era a fuga definitiva da realidade cruel em que ela vivia.
O filme se passa no período pós-guerra civil espanhola, onde os rebeldes estavam muito enfraquecidos durante o governo fascista de Franco. É demonstrado, então, a questão do autoritarismo por parte do regime Franquista na figura do Capitão, que é um homem sádico e maltrata, principalmente, a personagem principal do filme, Ofélia, sua enteada. Além disso destacasse o papel da mulher no período da revolução, demonstrado principalmente pela rebelde Mercedes, que coordenava as ações do grupo estando infiltrada em território inimigo. A mulher, então, ganha em importância neste tipo de conflito graças a sua maior facilidade em se infiltrar sem atrair suspeitas. O próprio Capitão diz no filme que seu orgulho o tornou incapaz de suspeitar dela.

Aluno: Henrique Fernandes A. V. Porto

Anônimo disse...

O filme tem uma proposta interessante, pois mostra o contexto de uma guerra misturando a realidade com a fantasia. Em algumas partes não é possível distinguir se os fatos estão acontecendo de fato ou se fazem parte da imaginação da menina. Interessante, também, é a escolha do Fauno como o a criatura mágica que se encontra com a menina, sempre à noite, pois o Fauno, na mitologia, é em boa parte das vezes ligado à sexualidade. Sobre a questão da fantasia, não se pode saber se o Fauno era apenas fruto da imaginação de Ofélia que usava disso para escapar da realidade difícil de sua vida no período do conflito. Porém, no final, ela finalmente chega ao seu reino depois de sua morte, o que reforça esse pensamento, já que a morte era a fuga definitiva da realidade cruel em que ela vivia.
O filme se passa no período pós-guerra civil espanhola, onde os rebeldes estavam muito enfraquecidos durante o governo fascista de Franco. É demonstrado, então, a questão do autoritarismo por parte do regime Franquista na figura do Capitão, que é um homem sádico e maltrata, principalmente, a personagem principal do filme, Ofélia, sua enteada. Além disso destacasse o papel da mulher no período da revolução, demonstrado principalmente pela rebelde Mercedes, que coordenava as ações do grupo, estando infiltrada em território inimigo. A mulher, então, ganha em importância neste tipo de conflito graças a sua maior facilidade em se infiltrar sem atrair suspeitas. O próprio Capitão diz no filme que seu orgulho o tornou incapaz de suspeitar dela.

Aluno: Henrique Fernandes A. V. Porto

Anônimo disse...

Walter José Moreira Dias Junior

O filme é interessante, pois como todos já disseram mistura o real com a fantasia. Se desenvolve já após o fim da guerra civil espanhola, quando ainda havia focos de resistência lutando contra a tomada de poder por parte da Falange. O papel na mulher no filme, na minha opinião, se situa no eixo regra x exceção. Mercedes se envolve no conflito, fornece mantimentos e dá informações aos revoltosos, porém a regra que consta no filme são as mulheres omissas dos assuntos da guerra, sejam as empregadas que trabalham no regimento militar que só pensam na cozinha e na arrumação, sejam as esposas dos oficiais que só acompanham seus maridos.

Renan Mello disse...

Aluno: Renan Mello

O filme de Guilhermo del Toro é uma mistura de fábula e realidade com ingredientes de ambas na medida certa. O resultado foi um relato e ao mesmo tempo uma crítica da realidade passando mensagens através da fantasia, do imaginário que só uma fábula é capaz de alcançar. Em um primeiro momento é complicado distinguir fantasia de realidade pelo fato das técnicas de filmagem não fazerem esta distinção, sendo todo o cenário meio sombrio, frio. Mas ao longo do filme é possível conceber essa distinção e a abordagem à guerra civil espanhola ganha uma ótica única. O diretor aborda os principais temas interligando-os numa fábula infantil cheia de mistérios e supostos perigos. O submundo encantado convive com a realidade dura e cruel do momento e os personagens da realidade participam, direta ou indiretamente, do imaginário fantasioso do labirinto do fauno.
A mulher é tratada a todo o momento como possuidora de um papel central na história, por mais que o capitão seja a autoridade máxima no campo. Esse papel de destaque da figura feminina vai desde o início até o fim da película, aonde se torna claro a liderança feminina no grupo de resistência.
Pode-se concluir então que quando se propõe a abordagem fantasiosa de uma dura realidade, não abrindo mão dos pontos principais do tema, pode-se, ao mesmo tempo, tocar na questão de superação do trauma da realidade, por mais que isso passe por um ideal de fábula, criticando a violência, a frieza e a falta de esperança do momento e também destacar o papel de ícones femininos e/ou internacionais que interferem ou não na questão, não sendo necessário abrir mão da realidade cruel e entrelaçando essa crueldade com a paz e beleza de um mundo de fantasias. Essa é a receita e a mágica proporcionada pro Guilhermo del Toro em "O Labiritnto do Fauno".

mfornaciari disse...

"O Labirinto do Fauno" é não só uma ótima obra de entretenimento, mas também uma interessante abordagem do clima pós-guerra na Espanha. Guillermo del Toro nos apresenta, através de uma fábula, um intrigante quadro do imaginário popular imediatamente após a vitória de Franco na Guerra Civil.
Na história que gira em torno da menina Ofelia, encontramos personagens emblemáticos dessa situação: a mãe de Ofelia, melancólica e pessimista, representa a falta de esperança após a instalação do regime de Franco; o pai de Ofelia foi morto lutando contra os franquistas, sendo mais um símbolo da derrota da esperança e possivelmente o principal motivo para Ofelia odiar seu padrasto, um capitão no exército de Franco. O capitão representa o regime, severo e conservador, odiado pelo povo. Finalmente, a empregada Carmen, e com ela os guerrilheiros, representam a parcela indignada da população que, apesar da melancolia e desesperança da época, continuavam a lutar contra o regime.

Vanessa Pollak disse...

O filme "O Labirinto do Fauno" é uma obra inovadora e interessante para relatar um conflito que não teve e tem muita notoriedade na história da guerras contemporâneas.
A questão da fábula para demonstrar uma época difícil,pois,vivia-se sob a névoa da repressão, garante para o filme uma leitura acertada, tendo em vista sua fotografia escura e nebulosa. O contexto que mostra como as mulheres se posicionaram é muito interessante, pois, sua participação seja lutando infiltrada seja apenas servindo ou aceitando aos interesse de seus maridos, colocaram-nas em cena tanto durante o conflito como depois da Guerra Civil Espanhola. O filme mostra a morte de Ofélia até mesmo como uma saída para o sofrimento, haja vista a dificuldade que é viver sob repressão e violência. Na luta que continuou contra o regime, a morte do capitão pode ser destacada como parte disto, uma resposta as atrocidades cometidas. O mundo de fantasia que foi criado no filme com personagens encantados foi uma produção positiva do cinema contemporâneo.

Anônimo disse...

Por muito tempo, a produção de filmes sobre a guerra caracterizou-se pelas cenas de conflitos bélicos propriamente ditos. Deve ser por isso minha resistência em assitir aos filmes antigos. De alguma maneira, o foco de hoje já não é mais o mesmo e há um interesse muito maior nas questões sobre o imaginário, sobre as mentalidades – e isso não ocorre apenas dentro da indústria cinematográfica. O Labirinto do fauno é mesmo um filme destes novos tempos. Para início de conversa, a protagonista é alguém que nem sequer esteve nos fronts. É uma garotinha espanhola cuja mãe acabara de casar com um militar oficial quando do início do regime franquista (1944). Desde as primeiras cenas, ela se depara com um fauno, uma criatura mitológica, e a fábula (narrativa figurada em que animais ou seres inanimados são personificados) começa. Há ainda outra personagem de destaque: uma das empregadas da casa, que parece ser uma espécide de governanta, passa alguns momentos com a garotinha. Na maior parte do filme a garota passa seu tempo em aventuras neste mundo do fauno, um lugar que apesar de seus atributos fantásticos, em nada se assemelha a outras caracterizações mitológicas de outros filmes em que figuram crianças. O fauno parece assustador. As fadas não são coloridas. Aliás, este é um filme em que quase não há cor. O preto e o cinza figuram mais que as outras cores. Entretanto, aquilo que parece me assustar em nada incomoda aquela garotinha. Minha leitura disto é que o filme quer passar a idéia de que as coisas ainda estavam assim, meio cinza, porque a guerra ainda não havia terminado, a despeito do que o discurso oficial queria fazer acreditar. E isso fica mais claro quando se percebe que a tal empregada fazia parte da resistência. Embora sabaimos que o franquismo tenha continuado até a décade de 70, fiquei feliz em observar a vitória da resistência no final. Acho que apesar da distância, o autor pode ter pensado em passar a idéia de que se pode e se deve resistir, isto é, não se deve aceitar a idéia de que as coisas devem ser da maneira como foram.

Letícia Sousa Campos da Silva

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

“O Labirinto do Fauno” permite reflexões capazes de abarcar uma análise estética do filme – que possui tamanha precisão de realidade, causando um efeito de que o fabuloso se torna parte do real, confundindo-se, através da própria realidade de Ofélia que vive, literalmente, a fantasia como e em realidade – mas, além de uma análise estética, permite uma percepção profunda da relação que se estabelece entre opostos que, só aparentemente parecem opostos, mas os quais o filme organiza em verdadeiro paradoxo, em que coexistem e não se anulam. Realidade e ficção; o mundo real em sua crueza e a fantasia, a fábula; a vida e o desejo de viver e o que oferece de mais propício à morte: a guerra. O desejo de imortalidade em meio a um cenário de mortalidades excessivas. Estas questões ficam tão bem fundamentadas quando inseridas num contexto de uma guerra que, mesmo “oficialmente” acabada, perpetuou por muito tempo; manteve-se pelas conseqüências irreparáveis, como exposto no filme, sentidas não só emocionalmente, mas na prática do cotidiano, moldando vidas e atitudes pelas próprias circunstâncias, assim como provocando atitudes diferenciadas e totalmente diversas de indivíduo para indivíduo, deixando claro os movimentos múltiplos e as facetas de uma guerra que desde seu início foi desigual mesmo em âmbito nacional. Há um momento, na cena em que está acontecendo o jantar entre convidados, que o Capitão não hesita em afirmar: “Estou aqui porque quero que meu filho nasça numa Espanha limpa e nova. Porque essa gente parte de uma idéia errada de que somos todos iguais. Mas há uma grande diferença: a guerra acabou e nós ganhamos”. Esta cena exemplifica as várias “Espanhas” que havia dentro de uma Espanha, os vários espanhóis que não se viam em igualdade, que a questão da identidade nacional não foi o fundamento para uma união a favor da dos indivíduos, mas sim que os próprios espanhóis estavam completamente divididos em grupos com objetivos divergentes e, principalmente, que, como exposto na fala, não havia e não queriam igualdade. A visão do militar, em representação, foi apenas uma das concepções que permeavam espanhóis que não se reconheciam como pares. O filme trata com propriedade as nuances de relações pessoais mostrando que o ímpeto de sobrevivência e militância ditavam a forma mesma de tais relações: a luta implicava muitas vezes em manter relações com o inimigo, de forma dissimulada (como se pode perceber pela personagem da empregada Carmem, uma resistente, que ‘mantém’ relações com o Capitão franquista, como estratégia – assim como o médico), muito devido à falta de aparatos externos que não se fizeram presentes, como ajuda internacional, apoio militar; culminando numa organização de civis por si próprios, em grupos resistentes dispersos e diversos, com diversas formas de ordem e de luta que careciam de recursos até mesmo médicos.

Aluna: Danielle Magalhães
(continua)

Unknown disse...

Parte 2

Neste contexto, a mãe da menina Ofélia, que “optou” por casar-se com o já citado Capitão, é a outra representação da realidade, que mostra que nem todos que desejavam o mesmo objetivo lutaram: ela, como muitos, pela circunstância forçada ou não, cansada das dificuldades e impelida pela sobrevivência, não lutou como outros espanhóis que também tinham vidas difíceis. Mas acredito que sua “omissão” não foi ditada no filme como uma culpa, mas apenas representando, a meu ver, que em um acontecimento, ainda que pareça uma só realidade de um evento, compõe em si diferentes realidades, atitudes movidas por subjetividades e formas de vida. Ou seja, permite perceber uma versão não simplista ou dicotômica dos fatos, mas esses inseridos em sua complexidade. Assim como apresenta o imaginário fascista da época, na qual a mulher era a progenitora do filho homem, futuro da pátria e de seus ideais fascistas (“Estou aqui porque quero que meu filho nasça numa Espanha limpa e nova...”), herdeiro do oficial, que carregaria seu nome e sua função. Em meio à imagem sombria de tamanha tensão e mortalidade, a realidade de uma criança se confunde em sua fantasia, tornando essa a sua realidade. O retorno à imortalidade implica desafios que confrontam a vida e a morte e, especialmente, isso, pelo bem contra o mal, a morte pela vida: a morte de sua mãe e o nascimento do irmão; a sua própria morte pela vida desse e, por conseguinte, a garantia de sua imortalidade. A imortalidade concedida pelo sacrifício de sua vida: a vida eterna pela morte e garantia de uma outra vida. Em suma, este filme enriquece, por meio de imagens contrastantes, de maneira extremamente sensível e profunda, as dificuldades reais e concretas do contexto como parte do imaginário, das percepções, posições, de sentimentos e desejos, de valores de sobreposição da justiça à guerra, da bondade à maldade, da vida à morte, da garantia de viver “para sempre”, de forma justa.

Aluna: Danielle Magalhães
(Obs: data acordada com a professora)

Raquel Rodrigues e Mayara Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raquel Rodrigues e Mayara Ribeiro disse...

O Labirinto do Fauno é um filme de guerra bem inusitado. Pode-se notar isso logo no começo, já que a guerra, propriamente dita, já havia acabado no período que ocorre a trama, este fato é importante, porque, mesmo no curso de história fala-se pouco da Guerra Civil Espanhola e o seu pós-guerra sequer é comentado como algo relevante. Um dos fatores prováveis é porque o mundo voltava-se para uma guerra que “merecia” (e continua “merecendo”) muito mais atenção, afinal, a II Guerra Mundial mudou os rumos econômicos de grandes potências mundiais.
Depois desse detalhe, algo mais chocante entra em cena... O mundo da fantasia em meio ao um período ditatorial. A fantasia se confunde com a realidade que é brutal, e fazer uma distinção entre os dois é quase impossível, porque, mesmo os elementos “bons” são dúbios (ex: fauno). A fotografia também ajuda nessa tarefa de confusão no momento em que é feita, basicamente, em tons escuros.
As mulheres no filme representam muito bem o papel da mulher no decorrer da Guerra Civil Espanhola, pois, nesta guerra, elas tiveram um papel ativo em batalhas. Muitas pegaram em armas e também foram para as trincheiras, o que é representado pela personagem “Mercedes”. Mesmo sendo uma mulher, ela é o elemento chave da resistência, pois tem contato direto com o inimigo, o “Capitão”. Outra mulher que também representa o papel feminino na guerra é a personagem “Carmem”, que retrata qual era o papel das mulheres que estavam na “direita” do conflito. Estas deveriam demonstrando pouco interesse, ou nenhum, pela política, tarefa “masculina” e dedicando-se a reproduzir o que a igreja católica pregava: cuidar dos filhos, selar pela casa e os afazeres domésticos.A personagem principal é outra mulher que tem, apenas, 13 anos. É a partir de sua visão de mundo que o filme é conduzido. Ofélia, uma menina que lê contos de fadas, tem um encontro com a brutalidade da guerra ainda bebê. Seu pai foi morto na Guerra e é “substituído” pelo padrasto, que tem uma relação pouco amigável com ela. Ofélia se refugia em um mundo paralelo que encontra na nova casa que mora, e, através dele, consegue viver sua infância, apesar do mundo conturbado que a circunda.
Raquel Rodrigues Marcelo
Seus sonhos de viver em um mundo em que seu pai verdadeiro reinará com paz e equidade, permeia sua vida e suas atitudes. Paz essa inexistente onde reina o padrasto, o “usurpador” do cargo de pai, sendo essa, talvez, uma alusão ao governo ilegítimo de franco, que é representado pelo padrasto de Ofélia.

Anônimo disse...

Aluna: Luana G. de Barros
Apesar do filme ‘Labirinto do Fauno’ a princípio parecer um filme de fantasia, de uma história de uma menina que vive em um mundo de fantasia criado por ela, o filme trata de questões que ultrapassam esse mundo de fantasia como fatores importantes ligados à Guerra Civil Espanhola. O filme se passa na Espanha em 1944 e tem como personagens principais uma menina de seis anos, Ofélia, e sua mãe Carmem.
Casada pela segunda vez e grávida, Carmem viaja com a filha para uma cidade do interior da Espanha para viver com o marido, um capitão do exército franquista. Embora Carmem afirme para Ofélia que estão indo para um lugar seguro, o novo lar de ambas não guarda grandes promessas de felicidade. Ofélia não se mostra feliz por estar indo morar com o padrasto e questiona sua mãe o porquê de estarem indo viver naquele lugar, se eram felizes onde moravam.
Em sua nova casa Ofélia se depara com a tirania do padrasto que se mostra violento em diversos momentos, demonstrando força e impiedade com os que vão de encontro aos seus interesses. A impiedade do capitão se dirige também à mãe de Ofélia que é importante somente por estar esperando seu filho, o qual faz questão que seja homem para dar continuidade à ordem política a qual ele representa, além de mostrar descaso com o estado debilitado em que a esposa se encontra.
Os elementos de fantasia se fazem presente desde o início do filme, com a aparição de uma criatura mágica que encanta Ofélia durante a viagem. Uma vez em sua nova casa, Ofélia descobre um mundo mágico na floresta e conhece Fauno, uma criatura mágica com a qual a menina passa a se encontrar. No entanto, esse mundo imaginário não é de todo oposto ao mundo real, não é um mundo seguro e não se pode afirmar se Fauno é bom ou ruim, se representa ou não uma ameaça.
Um outro importante personagem do filme é a empregada Mercedes que é uma espiã dos guerrilheiros infiltrada na casa do capitão. O papel das mulheres na Guerra Civil Espanhola foi bastante ativo, tendo muitas pego em armas e lutado no conflito. No filme é justamente Mercedes que representa estas mulheres; Carmem, por outro lado, representa o papel de mulher passiva, que respeita as decisões do marido, ficando em casa, não muito ligada aos assuntos políticos.
‘Labirinto do Fauno’, portanto, é um filme que caminha no sentido oposto dos filmes que tratam de guerra, pois o diretor Guilhermo Del Toro explora temas como guerra, violência e morte, associando-os ao universo infantil. O filme se presta à análise histórica tanto do período da guerra civil como o pós-guerra de uma forma original e embora contenha elementos de fantasia, não é considerado um filme para crianças, conseguindo fazer com o personagem principal não perca seu lado infantil mesmo lidando com os horrores de ambos os mundos.

Anônimo disse...

O filme é bem interessante, sobretudo pela forma como o tema é abordado, misturando fantasia com fatos históricos, resquicios da guerra que já havia acabado mas ainda assim permanecia ideologicamente no presente daquelas pessoas.
Através do filme podemos ver também como as mulheres tiveram um importante papel na Guerra Civil Espanhola, a personagem principal é uma menininha que ao longo da trama é ajudada pela empregada que servia como bode expiatorio.
O filme apresenta uma forma bem original de analisar a guerra e o pós-guerra civil espanhola.

Anônimo disse...

Laila Miguez
Meu comentário
http://www.4shared.com/document/0FglmUzE/O_Labirinto_do_Fauno_e_a_guerr.html

Anônimo disse...

Achei o filme bem interessante pois retrata atraves da realidade e da fantasia uma das guerras de maior destaque na Europa. Abordar a Guerra civil espanhola desta forma faz com que o tema seja facilmente alcançado pelos espectadores e amplie o conhecimento sobre o tema. O filme deixa claro a participação feminina na luta contra o regime fascista que se instalara(mostrado no papel da governanta que auxilia os rebeldes dando-lhes alimentos, por exemplo.)e também faz com que o espectador reflita sobre o que se passa durante o periodo pós guerra, importante para compreender os eventes que se sucedem para a Europa e Espanha.

Aluno: Thiago Teixeira Salles

Renan C. P. Soares disse...

O filme “O Labirinto do fauno” de Guillermo Del Toro lançado em 2006, apresenta uma nova perspectiva sobre o momento pós-guerra civil espanhola não só na forma cinematograficamente diferente que o tema foi abordado como nas próprias questões levantadas pelo autor a respeito da temática histórica.
A mistura do fantasioso com o que seria real abre novas perspectivas de abordagem. Coisa parecida acontece no filme israelense “Valsa com Bashir”, no qual o diretor faz um documentário a respeito da guerra no Líbano utilizando de uma animação. Essa mistura do que é convencionalmente chamado de irreal, seja a animação seja o conto de fadas, com o que é “real”, a história de uma guerra, permite o diretor ir para além da verossimilhança e fazer um relato inteiramente novo sobre determinado assunto.
Duas questões polêmicas foram brilhantemente abordadas por Del Toro: A participação feminina e a luta armada. As mulheres aparecem como protagonistas no filme e sua postura, em geral, são de agente ativo da construção histórica. De diferentes maneiras, incluindo aí a participação da própria menina, são as mulheres que dão rumo à história. Mais do que incluir e valorizar as mulheres na participação de determinados eventos históricos, temos que analisar um filme segundo o próprio momento em que o filme foi feito. Temos então uma mensagem clara e direta à sociedade atual sobre as questões feministas de participação ativa das mulheres na vida social.
Outra coisa que não podemos deixar de analisar pela perspectiva atual, é a própria justificação da luta armada feito no filme. Em nenhum momento o filme relativiza quem era o “bom” e quem era o “mal”. Os fascistas eram sempre violentos e “sem coração”. Isso é uma escolha racional e não ingênua, que permite justificar sem sombras de dúvidas pegar em armas para tentar, de forma precária, acabar com esse regime violento. Até mesmo no final do filme quando o general clama por alguma piedade, ele é respondido com violência. Isso é interessante porque foge de uma perspectiva cristã de que não podemos usar a violência jamais e sim “dar a outra face”.
Portanto, esta é uma curta analise de um tema que poderia dar livros, mas ficam essas questões para que possamos refletir sobre.

Estudante: Renan da Cruz Padilha Soares