sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ao vivo de Bagdá

Em nosso último encontro assistimos ao filme "Ao vivo de Bagdá" sobre a cobertura realizada pela imprensa durante a Guerra do Golfo, de 1991. O filme trata, em especial, da participação da CNN, que inaugura a transmissão ao vivo de guerra, feita pela primeira apenas em áudio. A CNN é a única emissora a realizar este trabalho durante a guerra e sofre uma transformação no seu status de pequena rede, aumentando em oito vezes a sua audiência já no período da guerra, que dura apenas 40 dias. O filme trata justamente dessa transformação, das dificuldades do trabalho jornalístico, da introdução da tecnologia, das relações com o poder e dos resultados da guerra. Faça o seu comentário sobre o filme. O exercício vale nota.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Valsa com Bashir - texto da Profa. Ana Mauad


A professora Ana Mauad, do Departamento de História da UFF, gentilmente nos cedeu um breve texto produzido por ela sobre o filme "Valsa com Bashir" para um debate realizado no ano passado pelo Cahis. Reproduzo abaixo o texto e apenas chamo a atenção que o exercício para a próxima aula é o mesmo sobre o ataque de Israel à frota de ajuda humanitária à Gaza. Acompanhem na postagem anterior. A seguir o texto da profa. Ana Mauad.

VALSA COM BASHIR

Ari Folman, 2008, cerca de 90 minutos.
Documentário animado

No Líbano, 1982, um jovem judeu de 19 anos cumprindo o serviço militar, participa do massacre de Sabra e Shatila, lançando os mísseis de iluminação que guiariam os falangistas cristãos na vingança contra o assassinato do seu líder – o presidente eleito Bashir Gemayel.
O jovem é o próprio cineasta que em busca da sua memória realiza um mergulho nas lembranças da sua geração, misturando fatos narrados, sonhos e alegorias psicanalítcas, numa narrativa documental intertextual.

A opção pelo desenho animado propicia a diferentes formas de representação das lembranças e o processo de rememoração, mediado pelos traços da animação ganha força de imaginação. Define-se assim que lembrar e rememorar são ações que se fazem num presente, compondo o passado por um conjunto de impressões, de desejos interditos, de expectativas frustradas. Não é porque ela não representa factualmente o que aconteceu que deixa de ser uma narrativa verdadeira, pois a verdade no processo de rememoração é definida pela capacidade das lembranças evocarem outras lembranças numa trama continuada que refaz os percursos de histórias íntimas. Essas não estão absolutamente em contradição com a história pública, ao contrário, a enfrenta e no confronto ganha a verdade histórica – nunca absoluta, mas sempre necessária e carente de múltiplas visões.

O recurso a animação é uma forma de filmar a memória sem falseá-la pela representação realista da película e da encenação. Em valsa de Bashir a animação é a forma expressiva ideal para a atualização de memórias tão interditadas e afogadas num mar de culpas passadas. Para no final o real emergir no impacto das cenas filmadas – como se acordasse de um sonho e finalmente se conseguisse transformar memória em história. Aqui a memória mostra o quanto é impossível ser resgatada ou restaurada, pois ela é sempre um passado-composto no presente, uma busca do sujeito em ter um futuro.
Eu tinha 22 anos em 1982 e estava me formando em história na UFF. Do massacre me lembro muito pouco, mas misturado a guerra do Líbano, da qual tinha interesse pela minha descendência – sou neta de libaneses. Hoje sou casada com um chileno descendente de palestinos e meus filhos se descobriram recentemente árabes. Hoje acompanhando esse mergulho na memória que o filme provoca – confesso que na noite seguinte tive muitos pesadelos com as imagens – algumas questões me surgiram.

A primeira delas é sobre as transformações no estatuto do filme documentário ao longo do século XX e as mudanças no regime de verdade na produção do que é documental. Isso se estende à história também...
A segunda diz respeito ao relato biográfico e a capacidade do olhar micro fazer tanto sentido para a macro-história;
A terceira tem a ver com a questão do sujeito e a crise do gênero masculino. Essa eu lanço para a audiência para a gente pensar junto.

Obrigada, Ana Maria Mauad

terça-feira, 1 de junho de 2010

Israel e ajuda humanitária para Gaza

Atenção alunos. Estejam atentos às notícias e às análises sobre o ataque israelense à frota de navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que aconteceu no início da semana em águas internacionais. Foram confirmadas 10 mortes de ativistas que estavam nos navios por soldados israelenses e são debatidas as repercussões do evento, a legitimidade da abordagem, o bloqueio à região palestina, o posicionamento das Nações Unidas e de seus membros, entre outros temas.

Há uma profusão de informações, diversas declarações oficiais e de análise e um encadeamento de repercussões que ainda não parou de acontecer. Este fato, além de ser de interesse político e humanitário, para nós é extremamente importante neste momento de nossa disciplina em que justamente debatemos representações sobre o conflito Israel-Palestina. Acabamos de assitir "Valsa com Bashir" e vão terminar de ver "Promessas de um novo mundo", duas produções alternativas no sentido de não tratar apenas do conflito, mas de propor um olhar diferente sobre as relações entre Israel e Palestina. Estejam atentos principalmente no modo como os meios de comunicação estão tratando o tema, o destaque que tem sido dado, a abordagem, os lugares comuns e as interpretações que buscam ser crítica e cuidadosas, enfim estejam atentos ao evento e às várias formas usadas para narrá-lo. Abaixo reproduzo um texto sobre protestos ao redor do mundo um dia depois do ocorrido. Comentem o que lerem e virem nos comentários e dêem acesso também a links para textos interessantes.

Árabes israelenses convocam greve em repúdio a ação militar de Israel


Em repúdio ao ataque israelense contra a frota que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza, comunidades árabes em Israel convocaram uma greve geral para essa terça-feira (1/6). A decisão foi tomada hoje (31/5), durante reunião de emergência do Comitê Superior Árabe de Monitoramento, que representa 1,3 milhão de árabes vivendo em solo israelense. Para protestar, representantes de diversos partidos políticos estão organizando passeatas em cidades árabes. As informações são do jornal israelense Ynetnews.
Hoje, centenas de pessoas se manifestaram nas ruas da cidade de Nazaré. Israel atacou a "Flotilha da Liberdade", um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária que seria levada para a Faixa de Gaza, deixando 19 mortos e 36 feridos.

A polícia israelense deslocou reforços para as cidades de Jerusalém, Jaffa – sul de Tel Aviv – e na região da Galiléia pois, segundo a rede Al Jazeera, foi levantada a possibilidade de o líder islâmico Sheikh Raed Salah ter sido gravemente ferido durante o ataque. Em estado de alerta, peritos da Polícia de Tel Aviv viajaram até a cidade de Ashdod e foi concluído que o religioso não estava entre as vítimas, informou a agência AFP.

Outros protestos
As manifestações contra a Israel aconteceram ao redor do mundo, nas ruas principais de grandes cidades e na frente das embaixadas. Em Istambul, cerca de 10 mil pessoas se concentraram na frente da embaixada israelense e depois marcharam pelo centro da cidade. Na capital, Ancara, cerca de mil pessoas gritavam e atiravam ovos na porta da casa do embaixador israelense, Gabby Levy.
Em Londres, mil pessoas protestavam em frente à casa do premier David Cameron e do embaixador israelense. Muitos com parentes em Gaza, segundo reportagem da agência AFP, carregavam bandeiras palestinas e gritavam que Israel está cometendo crimes de guerra.
Em Paris, 500 pessoas se reuniram perto da embaixada israelense. Na Grécia, 3,5 mil. Manifestações aconteceram também no Egito, no Kuait e Síria. Na capital iraniana, Teerã, milhares de pessoas protestaram na frente do escritório das Nações Unidas, questionando a postura da entidade diante da atitude de Israel. De acordo com a repórter da Al Jazeera Sherine Trados, citando o exército israelense, um iraniano foi ferido no ataque ao comboio.

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