sexta-feira, 28 de maio de 2010

Brasileira filma iniciativas pela paz no Oriente Médio

No filme Budrus Julia Bacha registra ações pacifistas na Palestina para modificar traçado do muro que Israel constrói na região. O filme foi exibido no evento Aliança de Civilizações das Nações Unidas, que acontece no Rio de Janeiro de 27 a 29 de maio.

Budrus é a segunda produção de Júlia Bacha para a ONG Just Vision sobre iniciativas pacíficas para responder a situações de conflito no Oriente Médio. “Trabalhamos do ponto de vista jornalístico e de cinema. O objetivo não é panfletário, não queremos dizer que tudo que está acontecendo é bom e numa direção certa. Queremos contar a história toda, com problemas, dificuldades, com o que está ou não funcionando. A gente acredita que essa maneira de contar histórias é muito mais efetiva para realmente criar interesse na comunidade internacional”, observa Julia. O filme dirigido registra as mais de 50 passeatas organizadas pelo ativista Ayed Morrar ao longo de dez meses, no esforço de convencer Israel a alterar o traçado do muro que estava construindo nos territórios palestinos ocupados e que afetaria os 1.500 moradores do pequeno vilarejo homônimo. Entre outros efeitos, a barreira destruiria parte de um campo de oliveiras, fonte de subsistência, além de dividir um cemitério e uma escola da vila. O que começa como um pequeno protesto dos moradores em frente às máquinas do Exército israelense, acaba chamando a atenção de organizações pacifistas e provoca uma impensável reunião dos rivais Hamas e Fatah pela causa.

Parte do material usado no filme foi filmado pelos próprios manifestantes, como forma de intimidar os militares. “A câmera tem esse efeito porque os soldados não querem ser filmados cometendo violações aos direitos humanos. Além disso, se alguma coisa acontecer, esse material pode ser usado como documentação ou pode ser repassado para a mídia”, explica Julia.

O filme foi agraciado com o segundo prêmio do público no Festival Internacional de Cinema de Berlim e estreou nos EUA no festival Tribeca Film. Antes, teve uma sessão de gala patrocinada pela rainha Noor, da Jordânia, que entregou a Julia e Ronit (co-autora) o King Hussein Leadership Prize, concedido a indivíduos e organizações com ações de destaque em direitos humanos.

Com diversas produções no currículo, duas delas dirigidas pela brasileira, a Just Vision tem no seu acervo mais de 80 entrevistas de personagens dos dois lados do conflito, disponíveis em árabe, hebraico e inglês. O próximo projeto da ONG é uma série de curtas sobre o conflito.

Quanto a registrar movimentos pacifistas numa das regiões mais conflituosas do mundo, em constante risco de bombardeio, a brasileira relativiza: “Meus pais ficam preocupados, mas eu sinceramente acho que Rio e São Paulo não são menos perigosos do que o Oriente Médio”.

O filme e a presença da autora foi um dos debates e eventos do III Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, que acontece de 27 a 29 de maio no Rio de Janeiro. Outros debates, inclusive falas dos chefes de Estado presentes e sessões temáticas sobre a cobertura da mídia internacional, serão tratados nas próximas postagens.

Com informações do site Jornalismo Social e do próprio evento

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Líbano e Palestina


Para continuar nosso debate de nossa disciplina "Narrativa e Guerra" sobre as questões e os conflitos do Oriente Médio, em especial a 1a. Guerra do Líbano e a relação Israel-Palestina, trago alguns filmes lançados recentemente sobre os temas como "Lebanon", do israelense Samuel Maoz, que acaba de ser lançado nos cinemas europeus. Maoz é um ex-combatente israelense no Líbano durante a guerra de 1982 que rememora sua experiência através do cinema assim como fez Ari Foman em "Valsa com Bashir".
 No link a seguir há um texto em inglês publicado no site do BFI 53rd London Film Festival (http://www.bfi.org.uk/lff/node/430) sobre o filme "Lebanon".


Mais três filmes estão aqui como sugestão, embora não saiba se será possível encontrá-los no Brasil. São eles: "Ajami", "Defamation" e "Eyes wide open". O primeiro, "Ajami", é dirigido por um cineasta palestino e outro israelense, numa parceria que demonstra que a convivência produtiva é possível, que trata de um crime acorrido nas ruas de Israel. O segundo, "Defamation", é um documentário sobre o anti-semitismo. E o terceiro, "Eyes wide open", fala de um amor proibido dentro da comunidade ortodoxa de Jerusalém.

Por último, nesta postagem, fica a dica de um livro que acabei de comprar e que ainda não li. Chama-se "Paz e Guerra no Oriente Médio: a queda do Império Otomano e a criação do Oriente Médio moderno". Acredito que entender a forma como a intervenção externa promoveu as divisões do mapa do Oriente Médio e esteve contra ou ao lado de determinados regimes ajuda a compreender historicamente as relações existentes na região.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Guerra do Vietnã - cobertura de José Hamilton Ribeiro

Com base na matéria da Revista Realidade sobre a cobertura de José Hamilton Ribeiro na Guerra do Vietnã escolham três perguntas e respondam como comentário aqui no blog. A matéria está no xerox (o vermelho) no bloco N. O exercício deve ser feito até nossa próxima aula, dia 24 de maio.

1) O que a presença do repórter muda na cobertura de guerra?
2) O que um repórter brasileiro traz de diferente para esta cobertura?
3) O que o envolvimento do repórter José Hamilton Ribeiro na Guerra do Vietnã como vítima altera na percepção da guerra e no relato?
4) Quais as diferenças entre um relato da época do Vietnã para os relatos das guerras que acompanhamos hoje pela TV?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Guerra Civil Espanhola: O LABIRINTO DO FAUNO

O exercício da aula desta semana (19/04/2010) é sobre a Guerra Civil Espanhola. Peço aos alunos que façam uma resenha, que deve ser publicada como comentário desta postagem, sobre o filme que assistimos em aula "O labirinto do fauno". Já tivemos uma ótima discussão em sala, após a exibição do filme e a apresentação do grupo encarregado de tratar do tema. Fica aberta tb a possibilidade de tratar de algum outro tema ou obra que esteja relacionada à Guerra na Espanha. Para ajudar no exercício, relembro alguns dos temas tratados em sala, sucitados pela película.
Entre eles:
1) Debate sobre o papel da mulher na Guerra Civil e nos filme "O labirinto do fauno";
2) A utilização da fábula para se referir ao tema da guerra e ao clima pós-guerra;
3) Possibilidades de resistência e necessidade de adaptação ao novo regime;
4) Crítica à falta de ajuda internacional no momento em que grande mobilização era feita para atuar contra a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.


Fica aberta ainda a possibilidade para os que quiserem escrever sobre os textos e experiências de George Orwell na Guerra Civil Espanhola, que foi tb tema da última aula, com a apresentação do trabalho do Pedro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Leões e Cordeiros

Com base no debate sobre o filme "Leões e Cordeiros" responda às seguintes questões, dando exemplos e refletindo sobre as representações de guerra contemporâneas.
1) A imprensa é capaz de modificar ou interferir nos rumos de uma guerra?
2) Os espectadores podem ter informações seguras e apuradas de um conflito?
3) Qual a capacidade da imprensa internacional de apurar melhor um conflito do que a imprensa dos países envolvidos diretamente no evento? Ou a cobertura contemporânea não depende dessa diferença?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Primeira postagem:

A primeira postagem pretende discutir a violência e a guerra estão entre os principais elementos que caracterizaram o século 20. Esta avaliação feita, entre outros, pelo historiador Eric Hobsbawm ajuda a pensar a realidade contemporânea mundial. Abaixo, trechos do início do livro Era dos Extremos – o breve século XX (1914 – 1991). Comente a tese de Hobsbawm sobre o breve e violento século XX.

Título: O século: vista aérea – olhar panorâmico

Doze pessoas vêem o século XX (seis primeiros depoimentos)

Isaiah Berlin (filósofo, Grã-Bretanha): “Vivi a maior parte do século XX, devo acrescentar que não sofri provações pessoais. Lembro-o apenas como o século mais terrível da história”.
Julio Caro Baroja (antropólogo, Espanha): “Há uma contradição patente entre a experiência de nossa própria vida – infância, juventude e velhice passadas tranqüilamente e sem maiores aventuras – e os fatos do século XX... os terríveis acontecimentos por que passou a humanidade”.
Primo Levi (escritor, Itália): “Nós, que sobrevivemos aos Campos, não somos verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que outros sobreviventes escreveram – inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo. Os que tocaram, e que viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram sem palavras”.
René Dumont (agrônomo, ecologista, França): “Vejo-o apenas como um século de massacres e guerras”.
Rita Levi Montalcini (Prêmio Nobel, ciência, Itália): “Apesar de tudo, neste século houve revoluções para melhor [...] o surgimento do Quarto Estado e a emergência da mulher, após séculos de repressão”.
William Golding (Prêmio Nobel, escritor, Grã-Bretanha): “Não posso deixar de pensar que este foi o século mais violento da história humana”.